segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sussurro

O sussurro de uma rajada de vento transpareceu sobre mim. Estremeci. Em meu ombro esquerdo havia uma camisa vermelha, usava calça jeans azul escura, e uma das abas da minha mochila repousava no ombro oposto da estava a camisa. Andava sob o sol das oito da manha em uma estrada de terra, rodeada por algumas casas e árvores aleatórias. Minha expressão permanecia fechada enquanto minha mente vagava pra longe, pela musica,  fones de ouvido saíam do meu bolso e seguindo o cabo elas terminavam em meus dois ouvidos, dentro do bolso a luz da tela do meu celular brilhava marcando duas ligações perdidas, eu não tinha conhecimento disso.
Eu não tinha conhecimento de inúmeras coisas.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Palavras - Poema







Palavras








Talvez possa ficar só em palavras
Que voam por ai
Procurando quem escuta-las
Procurando quem senti-las
Sussurrando junto ao vento
Esvoaçando o cabelo das pessoas
Levando a cor ao mundo preto e branco
Levando a tinta a uma dócil folha de papel
E por fim
Iluminando cada um de nossos mais frios corações

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ainda não caiu a ficha - Poema


É bom saber que não é um sonho
E que não acaba quando acordamos
É bom levantar a cada manha
E saber que você existe

Mas ainda não caiu a ficha

É bom saber o seu nome
E decorar o contorno dos seus dedos
É bom pensar em você
E mais ainda sonhar contigo

Mas ainda não caiu a ficha

Um sonho que é real
que se acabou se transformando em realidade

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

El Juego del Ángel

 
Um escritor nunca esquece a primeira vez que aceita umas moedas ou um elogio por uma historia. Nunca esquece a primeira vez que sente o doce veneno da vaidade no sangue e acha que, se consegue que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de colocar teto sobre a sua cabeça, e um prato quente no final do dia e o que mais deseja, seu nome impresso em um miserável pedaço de papel que seguramente viverá mais do que ele. Um escritor está condenado a lembrar esse momento, porque até então está perdido e sua alma tem preço.

(Carlos Ruiz Zafón)